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CPIs e o direito a ampla defesa.
Dra. Luciana Bueno
Todos os dias ao ler os jornais me
deparo com um cenário pitoresco, quando verifico que as CPIs legalmente
constituídas conforme preceitua a Lei 1579/52, onde os investigados,
testemunhas e afins são humilhados até a exaustão, onde inclusive os
advogados de defesa não tem o direito de falar, e olha que estamos falando
de advogados renomados e experientes e que os deputados sem dó nem
piedade, como se estivéssemos na época da inquisição, transformam os
depoimentos em momentos de flagrante desrespeito aos direitos individuais
constitucionais.
Ora, não estamos aqui defendendo
os que estão sendo investigados, e sim a forma de serem investigados, onde
devem ser mantidos os ordenamentos jurídicos pertinentes, o que
efetivamente não acontece.
Estamos em um estado de direito,
em uma sociedade civilizada, e como tal não podemos ficar calados diante
do quadro no mínimo exótico, quase canibalesco, que assistimos todos os
dias.
Todos têm direito a defesa, todos
tem direito a permanecer calado, ninguém está obrigado a fazer prova
contra si mesmo ou a confessar a prática de conduta que lhe seja
desfavorável, ora se todos são iguais perante a lei, então TODOS tem estes
direitos, do maior criminoso ao menor, logo há que se verificar o que anda
acontecendo nas CPIs, que é uma fase pré-processual e que em conformidade
com o art.5, inciso III da Constituição Federal, segundo o qual “ninguém
será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.”,
devendo portando este inciso ser aplicado também às CPIs.
Concluo que, sou a favor da defesa
do estado de direito e da aplicação das leis de forma irrestrita, onde
todo cidadão tem direito a defesa, onde o advogado é indispensável a
aplicação da justiça, evitando-se assim que sejamos vistos no cenário
internacional como cidadãos de segunda classe, o que efetivamente não
somos.
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V Conferência dos Advogados do Distrito
Federal
Dra. Luciana Bueno
Nos dias 9, 10 e 11 de agosto de 2005
foi realizada a V Conferência dos Advogados do Distrito Federal, organizada pela
Seccional do Distrito Federal, cujo tema foi “A reforma do Judiciário”.
No dia 09 de agosto de 2005, o painel
de abertura foi proferido pelo Senador José Sarney que com muita maestria
descreveu sobre o tema: A redemocratização da república, restando claro que o
Senador entende muito bem do riscado e que ademais, é um advogado inscrito na
OAB/MA, onde sou inscrita também e que apesar do preconceito que tinha sobre o
Senador, fiquei muito satisfeita com a sua visão global e dinâmica dos eventos
passados e presentes.
No dia 10 de agosto de 2005, foram
apresentados 04 painéis muito interessantes, dos quais destaco o pronunciamento
do Exm. Presidente do Superior Tribunal de Justiça, Dr.Edison Vidigal, que com
muita clareza demonstrou a importância de um controle externo da magistratura,
destacando também o Dr.Alexandre de Moraes que participa do Conselho Nacional de
Justiça, órgão criado em 14 de junho de 2005 que visa controlar
administrativamente os Tribunais Estaduais e Federais.
No dia 11 de agosto de 2005, dia
do advogado, foram apresentados 04 painéis com assuntos palpitantes dos quais
destaco o pronunciamento do advogado Dr.Orestes Muniz (Presidente do Conselho
Seccional da OAB Rondônia) sobre a defesa das prerrogativas do advogado, onde
com muito entusiasmo e amor a profissão conclamou os colegas a fazerem um pacto
de defesa das prerrogativas, salientando-se que “as
prerrogativas não são privilégios, nem superioridade, não é proteção, são
garantias outorgadas pela nação, para que os indivíduos vejam o cumprimento
integral do princípio da ampla defesa”.
Finalizando com a seguinte frase, o
advogado não pode ser confundido com a figura do cliente, ou seja, todo cidadão
tem direita a defesa, seja ele quem for e nós como advogados não podemos ser
penalizados por patrocinar quem quer que seja.
Na cerimônia de encerramento contamos
com a presença de autoridades dos 3 Poderes, destacando-se o Exm.Governador do
Distrito Federal Sr.Joaquim Roriz e o Presidente da Câmara dos Deputados
Sr.Severino.
O evento contou com a presença de
ilustres juristas, e foi muito bem organizado pela Comissão de Eventos da
OAB/DF, restando claro que a Presidente Dra. Estefânia Viveiros, por ser mulher,
soube desempenhar muito bem o papel de anfitriã.
Valeu a pena ter participado deste
evento, principalmente em um momento histórico como este, onde o Dr.Mauricio
Corrêa, fundador da OAB/DF, e um dos homenageados no aniversário de 45 anos da
entidade, deixou claro a indignação da classe com relação ao mar de lama
apresentado pela imprensa nestes últimos três meses.
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CPI e o caso do furto de xampu.
Dra. Luciana Bueno
As noticias sobre o mensalão, sobre CPI dos
Correios, Marcos Valério e outros personagens que apareceram recentemente no
noticiário nacional, nos faz refletir sobre a aplicação das leis no Brasil, por
meio de um site fiquei sabendo do caso da Dona Maria Aparecida, uma paulistana
pobre, mãe de dois filhos, que foi presa em flagrante em um supermercado na
capital paulista, quando furtava um vidro de xampu, e que por incrível que
pareça continua presa, apesar do principio penal da insignificância e da mesma
ser primária.
A Dona Maria Aparecida está presa há mais de um
ano por ter furtado um vidro de xampu, que deve custar no máximo R$ 9,00 (nove
reais), enquanto os personagens das CPIs, que aparecem diariamente na mídia,
continuam livres, apesar dos valores furtados do povo brasileiro terem sido bem
superiores ao ínfimo valor furtado pela da Dona Maria
Aparecida.
Então concluo que a lei infelizmente tem dois
pesos e duas medidas, e que infelizmente, também, o pobre se encontra sempre do
lado mais fraco, enquanto a Dona Maria Aparecida permanece presa deixando dois
filhos abandonados, os suspeitos das CPIs ficam embaixo da sombra dos Habeas
Corpus Preventivos.
Até quando vamos deixar donas marias aparecidas
nas cadeias e criminosos do colarinho branco desfilando em seus carros
importados pelas cidades comprados com o nosso dinheiro?
Não precisamos de mais leis, precisamos sim que as
leis sejam cumpridas e que o princípio constitucional da igualdade saía do papel
e se torne uma realidade.
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Fale com a Dra.
Luciana Bueno |
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